Existe uma diferença grande entre ver uma estrada alpina em foto e dirigir por ela com o carro certo, no ritmo certo, sabendo que o próximo passo já está reservado. Em outubro de 2026 a ROXMOTORS levou nove Porsche por quatro países e cerca de 2.000 quilômetros de passos alpinos, na segunda edição do Legends of the Alps.
Este texto é o relato dessa travessia — e, de quebra, um guia das estradas que entram em qualquer lista séria de melhores trechos dos Alpes para dirigir. Se você quer entender o formato antes, vale ler como funciona um driving tour.
A edição 2026 em números
- 10 a 19 de outubro de 2026 — 10 dias, 9 noites, saída única
- ~2.000 km, 100% em asfalto
- 4 países: Alemanha, Suíça, Itália e Áustria
- 9 carros Porsche, com rádio comunicador em todos eles
- Saída e chegada em Stuttgart, onde a marca nasceu
- Carro de apoio para a bagagem e cobertura de foto, vídeo e drone o tour inteiro
O grupo se encontrou no complexo Motorworld, em Stuttgart, para a retirada dos carros e o jantar de boas-vindas. No dia seguinte a rota já apontava para a Suíça, com café no mirante do castelo Schloss Laufen, debruçado sobre o Rheinfall, a maior cachoeira da Europa.
Susten, Furka e Nufenen: a Suíça inteira em um dia


O terceiro dia é o primeiro grande dia de piloto, e ele não economiza: três passos suíços em sequência, saindo de Lucerna e terminando no clima mediterrâneo do Lago Maggiore.
O Susten (2.224 m) abre os trabalhos e tem uma particularidade: foi um dos primeiros passos alpinos projetados já pensando no automóvel, e não em carroças. Isso se sente no raio das curvas, mais generoso e mais constante do que o de qualquer estrada vizinha. A parada obrigatória é o Hotel Steingletscher, diante do glaciar Stein.
A curva do Hotel Belvédère


Depois de Andermatt vem o Furka (2.429 m), e com ele a imagem que todo mundo reconhece mesmo sem saber o nome: a curva fechada com o Hotel Belvédère plantado no meio, e o glaciar do Ródano ao fundo. Foi ali que James Bond perseguiu Goldfinger em 1964. O hotel está fechado há anos, o que acabou tornando o lugar ainda mais fotogênico — e é onde o grupo fez a foto oficial da edição.
O fecho do dia é o Nufenen (2.478 m), o segundo passo mais alto inteiramente suíço, com almoço na nascente do rio que nasce daquele gelo e uma descida longa até Brissago.
San Bernardino, Viamala e Julier: o caminho para a Engadina
O quarto dia troca altitude por história. Café entre os três castelos medievais de Bellinzona, Patrimônio Mundial da UNESCO, e subida pela estrada histórica do San Bernardino (2.066 m) — a de curvas, não a do túnel.
Depois vem a travessia da Viamala, o desfiladeiro de 300 metros de profundidade que os viajantes medievais batizaram de “caminho ruim”, e o Passo Julier, por onde os romanos já passavam. A noite é em St. Moritz, o vilarejo onde, em 1864, uma aposta do hoteleiro Johannes Badrutt inventou o turismo de inverno.
Stelvio: as 48 curvas mais famosas do mundo


O quinto dia é o que todo mundo espera. Depois da travessia do Parque Nacional Suíço pelo Ofenpass e de um café em Glorenza — a menor cidade murada da Itália, com 900 habitantes dentro de muralhas intactas —, a estrada aponta para o Passo Stelvio (2.758 m).
O Stelvio foi rasgado na rocha em 1825 pelo engenheiro Carlo Donegani e tem, na face norte, as 48 curvas numeradas que viraram símbolo. O programa britânico Top Gear chegou a elege-lo a melhor estrada do mundo para dirigir, e é difícil discordar quando se está no almoço do refúgio empoleirado logo acima da serpentina.
Uma dica prática: em meados de outubro o Stelvio já está perto do fechamento de inverno. É justamente por isso que ele fica vazio — e é por isso que a ROX escolhe essa janela.
Gavia: a estrada mais dura do Giro d’Italia
Descendo para Bormio começa o Passo Gavia (2.618 m), que é o oposto do Stelvio: estreito, sem guard-rail em boa parte, com trechos em que dois carros não passam juntos. Foi palco da etapa mais lembrada da história do Giro d’Italia, a de 1988, corrida sob nevasca. O dia termina em Bolzano, com a Praça Walther e o centro histórico.
Sella Ronda e Passo Giau: as Dolomitas em um dia
O sexto dia percorre a Grande Strada delle Dolomiti inteira. Café diante do Lago di Carezza, que a lenda ladina chama de lago do arco-íris, e em seguida o circuito da Sella Ronda: os passos Sella, Gardena, Campolongo e Pordoi, todos ao redor do mesmo maciço.
O final é no Passo Giau, o mais fotogênico das Dolomitas, de preferência na luz dourada do fim da tarde. A noite é em Cortina d’Ampezzo, a Rainha das Dolomitas, que sediou os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 meses antes da passagem do grupo.
Grossglockner: a estrada alpina mais alta da Áustria


Depois da foto matinal nas Tre Cime refletidas no Lago di Misurina, o roteiro entra na Grossglockner Hochalpenstraße, construída por 4.000 trabalhadores entre 1930 e 1935 com um objetivo que hoje soa luxuoso: ser uma estrada feita para passear de carro.
São dois pontos altos literais. O mirante do glaciar Pasterze, diante do pico mais alto da Áustria (3.798 m), e a rampa de paralelepípedos da Edelweißspitze (2.571 m), que é curta, íngreme e pede primeira marcha. À noite, jantar duas estrelas Michelin no castelo Schloss Prielau, à beira do lago em Zell am See.
Krimml, Gerlos e Kesselberg: o último dia de montanha
O oitavo dia começa nas Cachoeiras de Krimml, a maior queda d’água da Áustria, com 380 metros em três saltos, e segue pelas curvas rápidas da Gerlos Alpenstraße. A descida pelo vale do Zillertal leva ao platô de Seefeld e a Mittenwald, a vila que fabrica violinos desde 1684.
O fecho é bem alemão: o lago turquesa de Walchensee, apelidado de “Caribe da Baviera”, e a Kesselbergstraße, palco de corridas de montanha lendárias nos anos 1920. No nono dia, antes do jantar de despedida em Stuttgart, ainda cabem o mosteiro de Ettal, a parada-foto em Neuschwanstein e Ulm.
| Passo | Altitude | País |
|---|---|---|
| Susten | 2.224 m | Suíça |
| Furka | 2.429 m | Suíça |
| Nufenen | 2.478 m | Suíça |
| San Bernardino | 2.066 m | Suíça |
| Stelvio | 2.758 m | Itália |
| Gavia | 2.618 m | Itália |
| Edelweißspitze (Grossglockner) | 2.571 m | Áustria |
O que faz um driving tour funcionar


A parte visível de um roteiro desses são as estradas. A parte que decide se ele dá certo é outra.
- Comboio com rádio em todos os carros. O guia avisa curva, radar, ciclista e troca de ritmo em tempo real — ninguém dirige olhando GPS.
- Carro de apoio. A bagagem viaja separada; no Porsche fica só o que se usa no dia.
- Burocracia resolvida. Vinhetas de autoestrada da Suíça e da Áustria, documentos dos veículos e autorização de circulação internacional já dentro de cada carro.
- Registro profissional. Fotógrafo dedicado e drone durante todo o percurso, com o material entregue ao grupo depois da viagem.
- Ritmo humano. Saídas entre 08h e 10h, almoços no alto dos passos e distâncias diárias entre 200 e 310 km — curtas o bastante para dirigir com prazer, não para cumprir tabela.
Vale a ressalva de clima: meados de outubro é o fim da temporada alpina. Nos passos a 2.500 m o termômetro fica em torno de zero, negativo com vento, e nos vales sobe para 10 a 16 °C à tarde. É um tour com mais frio do que calor — e com estradas muito mais vazias por causa disso.
Quando é a próxima edição


A edição 2026 saiu com todas as vagas vendidas. A próxima saída do Legends of the Alps acontece de 17 a 26 de setembro de 2027, no mesmo formato de grupo reduzido. Para 2028 já há data: 16 a 25 de setembro.
Quem prefere outro recorte dos Alpes tem ainda o Legends of Mont Blanc, de 8 a 17 de outubro de 2027. Todas as datas, o que está incluído e os valores estão na página do Porsche Driving Tour pelos Alpes.